Continuando com a série de textos do aprendizado que obtive com o livro Nunca se Case Antes dos 30 (Versão Metropolis), o qual foi feito durante 8 anos em 24 cidades ao redor do mundo, eu resolvi trazer esta pergunta para você refletir.
Durante as pesquisas eu pude identificar vários “nichos” ou grupos comportamentais de homens e mulheres, sejam estes solteiros, namorados, casados, divorciados, sonhadores, desiludidos, etc.. etc..
Um dos comportamentos que mais intrigou-me foi sobre o “nível de suporte” prestado durante o relacionamento com ou sem contrato ou certidão de casamento. Isso mesmo, não ria ! Quer um exemplo ?
Por exemplo, pergunte a si mesmo ou avalie o seu parceiro ou parceira: você, ele ou ela é ótimo no pré ou pós venda ? Eu explico.
Há indivíduos que são “excelentes” no pré-venda: cantada; atenção; simpatia; empatia; bom ouvinte; carinhos; presentes; surpresa; sensualidade; ousados; encantadores; criatividade; fazem “joguinhos”; preliminares de 30 minutos; etc.. porém, depois que “assinam” ou conquistam o contrato com a pessoa amada, simplesmente, esquecem de manter o nível de qualidade que fez a conquista interessante. O quê faz lembrar-me um trecho de um livro que diz mais ou menos assim: “…eu queria conquistar aquela mulher para poder esquecê-la..” Logo, foram excelentes no pré-venda mas se tornaram péssimos no “pós-venda”. Isso pode acontecer já a partir do sexto mês até o segundo ano de um relacionamento, com tendência para piorar no longo prazo caso não renovem-se diariamente.
Do outro lado da moeda, há também indivíduos (homens e mulheres) que são “péssimos” no pré-venda no início de um relacionamento: tímidos; práticos; diretos; estão aprendendo; ingênuos; inseguros; não tão “sensuais”; não fazem o “cala boca e beija logo”; não fazem “joguinhos” e simulações; etc.. porém, depois que “assinam” ou conquistam o contrato com a pessoa amada, simplesmente, se aperfeiçoam e criam uma sinergia e carinho que conquistam cada vez mais..
Será que a solução seria criar um nível de serviço para os relacionamentos ? Um prazo de validade ou contrato de garantia ou reposição ?!?!
Eu não sei qual é o caminho correto, eu estou apenas mostrando os dados. Mas na minha sugestão, nós temos que estar abertos a aprender o que nos faz bem, bem como a aqueles a quem admiramos ou gostamos. O pré-venda deve aprender com o pós venda, e vice-versa. É assim no mundo corporativo ou no seu próprio trabalho.
Eu pesquisei muitos namoros, casamentos e relacionamentos de casais que eram ótimos no pré-venda e foram péssimos no pós-venda, e o contrário também. Olhando apenas pelo lado dos dados dos censos oficiais e divórcios que obtive ao redor do mundo, as relações que mais duraram ou estão durando são aquelas que estão focadas no pós-venda, ou seja, relações que estão preocupadas na realidade da relação, e não aquelas relações baseadas nas fantasias ou do processo da pré-venda.
Você pode estar se perguntando: uma pessoa de pré-venda pode se tornar uma ótima em pós-venda ?!?! ou ainda, eu sou ótimo no pós-venda, mas eu não sei como atuar na pré-venda ?!?!
Eu respondo que aprender há maneiras, mudar não.. o importante é sempre manter a nossa essência, mas aprendendo com o meio em que vivemos. Em algumas cidades, algumas mulheres já viraram o “homem” dos tempos modernos, perdendo o seu bem mais precioso que é a intuição, e alguns homens estão perdendo seu lado “uga-uga” e sua habilidade te sedução e conquista. Leia um pouco da “Seleção Natural” de Darwin. Mas há uma dica forte: não procure a fantasia, mas a realidade.. Voe, mas com os pés no chão, mostram os dados !!! No meio de tantas mudanças, perder a essência é o maior risco.
Cada pessoa tem suas fases, e todos querem ser felizes.. Todos ! Porém, a fase que a pessoa está talvez não seja a mesma que a sua.. E a pior coisa é tentar “pressionar” ou “puxar” o outro ou a outra para a mesma fase ou velocidade que estamos. Por exemplo, há muitas relações ao redor do mundo de uma pessoa querendo transformar uma pessoa em outra. Aí, quando conseguem, não desejam-na mais.. Acabou o desafio.
Tornando isso em algo “descartável” e uma conquista mais focada no orgulho de superação.. E isso não é amor, na minha opinião. Há uma frase que diz que “podemos tirar a pessoa da ralé, mas nunca tirar a ralé da pessoa se ela não quiser”. Não queira transformar um Fusca num BMW, “canalha” em bonzinho ou boazinha, ou uma rapadura num petit gateau..
A mudança tem que ser de exclusiva vontade da pessoa desejada… Jesus que é Jesus não fez ninguem “engolir” seus ensinamentos, ele simplesmente “jogou” no ar.. Colheu quem desejou.. Quem somos nós para forçar a mudança ou evolução de alguém ?!!?
Temos que ser exemplos sim de algo que acreditamos, mas os outros só “imitirão” ou “aprenderão” se assim o desejarem.
Cabe a cada um escolher se terá ou não a devida paciência de acompanhar essa mudança ou evolução. Caso a outra pessoa não mude, não culpe-a por “usar” o seu tempo. A escolha foi toda sua.
Olhando pelo lado cômico dessa situação, se hoje tivéssemos um Procon ou Serasa de relacionamentos, o seu nome ou CPF estaria lá ? ou será que o seu nome não estaria nos sites Internet que criaram nos USA chamado “No Dating” que visa ser uma “lista negra” e proteger o tempo e o sentimento das pessoas “sérias” ou “pós-venda” do assédio das mulheres ou homens “pré-vendas” soltos pelo mercado ?
Talvez você possa questionar-me: e onde entra ou como fica o amor nisso tudo ? depois de avaliar dados dos relacionamentos dos últimos 150 anos, entrevistar 1.250 casais e 850 solteiros, a minha resposta até que eu aprenda algo novo é: o nome correto para “almas gêmeas” na verdade é “fases gêmeas”. É a fase que um casal está focado no pós-venda. Não que o casal se conheça hoje e já fale de futuro, nada disso e nenhum extremismo.
Na verdade, o casal numa fase pós-venda está focado na realidade do presente, amando hoje, cada um dando um atendimento e um suporte ideal hoje, sem preocupação do ontem ou do futuro. O amanhã é a consequência do hoje. Pronto.
Quer situações práticas de como a perspectiva muda ? Você, homem ou mulher, está preparado para ler isso ? Lembre-se: o que eu estou escrevendo é o que os dados mostram, e não o Heverton:
- Há muitas meninas que já compraram até o vestido de noiva, mas ainda nem têm o namorado. E quando encontram o namorado ou candidato, jogam nas costas deles todas suas expectativas ou até “salvamento” para agradar a familia ou sociedade.. E na verdade, elas têm que agradar a elas, e mais ninguém.
- Há muitas meninas que já sabem o nome de seus filhos, mesmo sem ter o candidato a pai. E a coisa mais importante que um homem pode fazer para os seus filhos ou herdeiros é amar sua mulher.. Logo, se preocupar com a sobremesa sem ainda ter o prato principal, torna-se algo muito arriscado. Filhos são a consequência maravilhosa de algo muito mais maravilhoso. Filhos não salvam relacionamentos, na verdade, os filhos destrõem os relacionamentos se esta relação não tiver amor e respeito verdadeiros.
- Há muitos homens maravilhosos no pré-venda. Imbatíveis. Porém são péssimos no pós-venda. Um casal pré-venda faz “joguinhos” do liga ou não liga, enquanto um casal pós-venda não tem culpa ou receio de ligar, pois um respeita, admira e faz empatia pelo outro. Mesmo que seja para nunca mais se verem, mas praticam respeito e sinceridade. Doa ou não doa.. Esse texto não tem nada a ver com nenhuma mensagem religiosa, mas talvez esse mesmo respeito e empatia seja a que Jesus falou “ame ao próximo como a si mesmo”. “Amar” aqui não é só dizer sim ou ficar “idolatrando” o outro ou outra, mas respeitar, dizer sim e dizer não..
Portanto, quer “salvar” um relacionamento emocional em pleno século XXI ? É importante identificar que estilo temos, pré ou pós-venda, aprendendo o que há de bom em cada um desses. É ser, agir e unir o “imediatismo” e a criatividade do pré-venda com a atenção e empatia do pós-venda, preocupado em satisfazer a ambos.
Algo ainda perigoso é uma pessoa pos-venda ficar presa a querer encontrar um parceiro pré-venda, ou vice-versa.. enquanto os parceiros ideais podem estar passando ao seu lado ou querendo dar suporte.. Todos estamos condenados a evolução, quem quer ficar parado, inclusive na relação, não merece suporte.
Uma vez tido um aprendizado, aprenda com ele. Jogue o retrovisor fora e olhe só para frente… Até amigos meus psicoterapeutas ou psicologos estão querendo montar uma clinica “como resolver o problema emocional do passado” das pessoas. É que a maioria dos tratamentos eram baseados no futuro que a pessoa desconhecia, agora, essas clinicas focariam em resolver o passado. Um novo problema em nossas metropoles E, quem sabe, o final do tratamento se daria quando a pessoa estivesse “virgem emocionalmente” novamente para novas relações.
Renovar é preciso, e se não houver renovação própria e por vontade própria, não pense que indo para outro CEP ou outra pessoa poderá ser a resposta para tudo.
***Heverton Anunciação nasceu em Brasília/DF, mas atualmente reside em São Paulo/SP.
Autor de livros e artigos muito respeitados, além de matérias na revista EXAME (Ed Abril) e entrevistas no programa Fantástico (Rede Globo), Hebe Camargo, Ronnie Von e em todo o Brasil com suas pesquisas sérias e imparciais.
É empresário e consultor em Tecnologia da Informação e Marketing de Relacionamento.
Também é autor do primeiro portal imparcial, sem religião e de fraternidade na internet: www.edeus.org.