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27/04/2011
Quando seu salário não é suficiente

O Dia Mundial do Trabalhador tem data para ser celebrado, mas parece que, em contrapartida, as dívidas compõem um calendário rotineiro. Já percebeu que quanto mais você trabalha, mais adquire despesas e itens de consumo, precisando trabalhar e ganhar ainda mais? O descontrole financeiro aliado ao consumismo exacerbado estão construindo um trajeto cíclico em que nada é suficiente e o planejamento parece ter caído no esquecimento.

Uma pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostra que mais de 68% das famílias gastam mais do que sua renda permite. O percentual de endividamento é de 86% de acordo com o PEIC- Nacional (Pesquisas Nacionais de Endividamento e Inadimplência do Consumidor). E com o que as pessoas gastam? Produtos supérfluos estão servindo de compensação psicológica e, segundo a Fecomércio (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo), se gasta mais com vestuário, que foi o principal vilão dos endividados em 2010, do que com educação.

A melhora da economia e a ascensão de mais de 20 milhões de brasileiros para a classe C, aqueceram o mercado e o desejo de compra. Desta forma, previsivelmente, o aumento do consumo, do endividamento e da inadimplência são conseqüências bastante prováveis.
Alimentação e eletroeletrônicos estão incluídos na lista dos mais caros e com maior índice de impostos embutidos e, coincidentemente, também estão entre os gastos mais altos dos consumidores. São Paulo é a metrópole que possui o maior custo de vida em 80% dos quesitos, configurando um cenário de perdição para os consumistas que não sabem controlar seu orçamento. O número de inadimplentes é cada vez maior e, os jovens, caracterizados pelo imediatismo e, que provavelmente são filhos de casais endividados, estão liderando o ranking.

A maioria das pessoas começa a problemática quando percebe seu poder de compra, por mais que não seja tão elevado. Aí começa a tentação pelas incontáveis parcelas, pela ilusão de juros baixos e pela facilidade de pagar apenas o valor mínimo do cartão de crédito. Pronto, você acabou de iniciar seu processo de endividamento!

O primeiro passo é estabelecer suas prioridades e parar de comprar a prazo. Se o problema é o cartão de crédito, pare de usar, assim reaprende a viver sem ele. Tenha controle de suas despesas para não se perder e, se já estiver endividado e não conseguir soluções para quitar o valor, seja sincero e procure a instituição para renegociar. Em algumas situações, envolver intermediários só irá piorar, enquanto para outras, dependendo dos prazos e taxas, o empréstimo pode ser mais válido, concentrando todas as dívidas em uma só. Usar o 13º salário e o dinheiro das férias também pode resolver.

Que o Dia do Trabalhador seja uma inspiração para que todos possam repensar seus gastos e trabalhar para melhorar a situação financeira e poder sentir a sensação de ter seu dinheiro e não que ele apenas passou por você! Trabalhar para poder comprar, mas com consciência e responsabilidade.


* Dora Ramos atua no mercado contábil-administrativo há mais de vinte anos. É fundadora e diretora responsável pela Fharos Assessoria Empresarial. Para mais informações, acesse www.fharos.com.br.

Fonte: Dora Ramos

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