A falta de condições de moradia, de recursos materiais, violência e dependência química são um dos motivos que levam crianças e adolescente aos abrigos. A maioria delas tem família que as visitam regularmente e com o sonho de levá-las para casa. “Mas antes, essas mães precisam ter condições tanto financeira como psicológicas para que seus filhos voltem ao seu convívio, afirma Carine Ferreira Guedes, psicóloga de uma das três casas abrigos do Lar Escola Cairbar Schutel (LECS), entidade que atende 60 crianças e adolescentes em situação de risco social.
Segundo Carine, antes de realizarem as visitas com as crianças, os familiares precisam de autorização da Vara da Infância e da Juventude. “Quando ocorre a permissão, o Lar Escola auxilia nos encontros e dá todo suporte para que a família se reestruture”, explica. O processo de desabrigamento das crianças das instituições ocorre aos poucos, quando é permitido que se passe o fim de semana, depois datas especiais e períodos mais longos com seus responsáveis. Até chegar o momento em que elas possam retornar ao convívio familiar seguro.
Rosilene Pereira dos Santos de 33 anos é uma das mães que vai a entidade há um ano para ver os seus três filhos, Alan, Alex e Raiane. Devido a problemas de saúde que a levou a internação por um mês e a instabilidade de moradia e emprego, tudo isso ocasionou a perda da guarda das crianças. “Quando vou embora após vê-los sinto mal por ter que deixá-los na instituição. Não vejo à hora de levá-los em definitivo para casa, lá eles têm seu quarto e seus brinquedos, emociona-se Rosilene. Atualmente, ela mora em casa alugada e trabalha como empregada doméstica e já passou as festas de fim de ano ao lado dos seus filhos.
Outra mãe que frequenta, o LECS é Luciana Maria Ferreira de 32 anos. Ela vai ao abrigo todos os domingos há mais de dois anos para ver as três filhas, Benedita, Beatriz e Monaliza. As meninas chegaram ao abrigo quando a mãe estava internada e confiou no marido para que cuidasse das crianças. Ele foi denunciado pelos vizinhos por suspeita de abuso sexual e negligência. “Quando sai do hospital e soube da perda das minhas filhas foi uma dor que não tem como explicar”, relembra Luciana Maria.
Após a perda da guarda das filhas, Luciana teve uma crise que a levou a beber e frequentar baladas, com isso passou a não ter emprego fixo e moradia. Hoje com novo companheiro, e prestes a se mudar para uma casa alugada, ela está à procura de emprego. Também luta para ter as filhas de volta ao seu convívio. “Deveria ter sido uma mãe melhor, eu sei que errei. O direito de toda a mãe é ficar com seus filhos, por isso que não desanimo de conseguir a guarda delas”, diz Luciana.
“O principal objetivo da entidade é criar condições para que o núcleo familiar original das crianças se equilibre e volte a ter condições de recebê-las novamente ou, não sendo possível, prepará-las para se adaptar a uma família substituta, sempre sob a supervisão das Varas da Infância e da Adolescência de São Paulo”, comenta Haércio Suguimoto, presidente do Lar Escola Cairbar Schutel.
Lar Escola Cairbar Schutel www.cairbarschutel.org
Fundada em 17 de janeiro de 1963, a instituição possui capacidade para atender gratuitamente 60 crianças – meninos e meninas, de 0 a 18 anos, em situação de risco social.
Desde sua fundação, a entidade já acompanhou a vida de 611 crianças. Dessas, 580 retornaram para o seu lar de origem, 10 foram adotadas internacionalmente e 21 foram adotadas no Brasil.
Seu objetivo é ser uma instituição beneficente reconhecida como centro de referência em administração do Terceiro Setor, oferecendo lar, educação, cuidados médicos, alimentação e ensinamentos morais para formar cidadãos conscientes de seus direitos e deveres.
Os pilares que baseiam a entidade são: cidadania, ética, integridade e honestidade para com toda a sociedade, união, fraternidade, humildade e fé raciocinada.
Visite:
Rua Francisco Preto, 213 – Vila Morse – São Paulo. Fone: (11) 3742-0516
Março 2010 - Jornalista responsável: Clarice Pereira (MTb 15.778)
Fonte: Link Portal da Comunicação