O espetáculo de dança-teatro Banksy Bang, da Cia. Perversos Polimorfos, cumpre temporada no Sesc Pinheiros, terças e quartas, 21h, até 8 de setembro, no subsolo (no feriado 7/9 a sessão será 17h). A concepção é de Ricardo Gali, que divide a direção com a bailarina e atriz Nathalia Catharina. Ao lado de Jerônimo Bittencourt, os dois vivenciam uma dramaturgia coreográfica inspirada em grafites do inglês Banksy, na obra Hamletmaschine, do dramaturgo Heiner Muller, e no Terrorismo Poético de Hakim Bey.
“É uma encenação plástica com a estrutura dramatúrgica de Hamletmaschine e os personagens shakespearianos Hamlet (Ricardo Gali), Ofélia (Nathalia Catharina) e Horácio (Jerônimo Bittencourt)”, define Ricardo Gali.
Nesta dança-teatro, para compor os personagens, os intérpretes buscam referências no clown, artes plásticas, fotografia e (claro) teatro. A coreografia coletiva foi criada enquanto o texto era dito pelos três. “Tentamos reproduzir no corpo as qualidades presentes na narrativa. Em alguns momentos, como o solo de Ofélia, trabalhamos a dança inspirada na sequência de imagens do texto”, diz Nathalia Catharina.
Inspirada no punk-rock, a trilha sonora criada e editada pelo cantor Dan Nakagawa é eclética. Reúne duas músicas compostas especialmente por ele e faixas de artistas como a cantora Diamanda Galás (Amazing Grace) e a banda Beastie Boys.
Para dar uma “quebrada”, há um momento disco divertido, com Village People, para o solo gogo dancer de Horácio, e movimentos clownescos executados por Ofélia. O corpo da intérprete é fotografado por Horácio e desenhado por Hamlet no chão com giz como nos assassinatos (remetendo à arte de rua).
A iluminação tem influência do trabalho de Banksy. Foi feita uma pesquisa de desenhos tanto na construção da luz no corpo dos atores como no chão, criando dimensões como as propostas por ele em seus trabalhos outdoors. “O desenho de luz tenta reproduzir a rua, valorizando o espaço da encenação, um estacionamento no subsolo, fora da caixa preta”, fala Aline Santini.
Baseado na estética punk e em grafites de Banksy, o figurino urbano de Joana Salles dialoga com a luz e com a trilha sonora. Traz para o contemporâneo o visual nobre de Hamlet e Ofélia. Vestidos com tons de cinza e cores fortes, os dois personagens entrelaçados garantem um dos instantes mais poéticos do espetáculo - ao som de Liszt.
Segundo Ricardo Gali, a montagem cênica segue um procedimento cinematográfico ao usar a técnica de construção através de movimento-imagem. O físico é um dos instrumentos do desenho. O gesto faz parte do ato pictórico. “O trabalho do corpo como elemento iconográfico se junta aqui à interpretação. Criamos imagens como que de fotogramas, as cenas são fotografias em movimento”, diz.
A meta do espetáculo é oferecer ao espectador uma dramaturgia visual com conteúdo, da mesma maneira que Banksy investe no poder da imagem com mensagem política, moral e religiosa. A intenção é fazer o público interpretá-la e adaptá-la à sua realidade. “Durante a encenação, desejamos que o espectador contribua com prazer para uma obra aberta, ao reconhecer a recriação do real.”
Banksy Bang participa do Solos Urbanos - Fora do Palco, do Sesc. O critério de seleção privilegia espetáculos adequados à arquitetura de locais alternativos. O objetivo é dar espaço para produções que se incorporam e transformam lugares.
Sobre Banksy:
Grafiteiro inglês. Sua identidade é incerta, não costuma dar entrevistas e fez da contravenção uma constante em seu trabalho. Suas obras são provocativas, carregadas de conteúdo social e contra conceitos de autoridade e poder. Os trabalhos em estêncil são facilmente encontrados nas ruas de Londres e de Bristol (onde nasceu em 1975). Em telas e murais faz suas críticas comportamentais e políticas, por vezes, provocando no observador uma identificação e sensação de concordância.
Serviço
Temporada: 10 de agosto a 8 de setembro. Terças e quartas, 21h. No feriado de 7 de setembro, a apresentação será às 17h.
Sesc Pinheiros, 4º subsolo. Rua Paes Leme, 195, Pinheiros. Estação Faria Lima (linha amarela) Tel. 11 3095-9400. Informações: 0800 118220. Capacidade: 70 lugares. Não é permitida a entrada após o início do espetáculo. Acessibilidade para portadores de deficiência. www.sescsp.org.br
Duração: 60 minutos
Classificação etária: não recomendado para menores de 10 anos
Ingressos: R$10 (inteira); R$5 (usuário matriculado no Sesc e dependentes); e R$2,50 (trabalhador no comércio e serviços matriculado no Sesc e dependentes). Os ingressos podem ser comprados em qualquer unidade. Formas de pagamento: dinheiro e cheque [à vista]; cartões Visa, Visa Electron, Mastercard, Mastercard Electronic, Maestro, Redeshop e Diners Club International [crédito e débito]. Horário de funcionamento da bilheteria do Sesc Pinheiros: terça a sexta, 10h às 21h30, sábados, das 10h às 21h30, domingos e feriados, 10h às 18h30.
Estacionamento no local (300 vagas). Preços: para público do teatro: preço único R$5; R$5 as três primeiras horas e R$ 0,50 a cada hora adicional [matriculados]; R$7 as três primeiras horas e R$1 a cada hora adicional [outros]. Horários especiais para a programação de teatro.
Ficha técnica
Concepção Ricardo Gali
Direção Nathalia Catharina e Ricardo Gali
Assistência de direção: Débora Sperl
Intérpretes Jerônimo Bittencourt, Nathalia Catharina e Ricardo Gali
Iluminação: Aline Santini
Trilha sonora e sonoplastia: Dan Nakagawa
Figurino: Joana Salles
Colaboração cênica: Clara Rubim
Produção: Cau Fonseca
Fotografia, videomaker e edição de vídeo: Fábio Furtado
Fonte: Luciana Cassas